Abro os olhos. Estou deitada na minha cama; está escuro. Às apalpadelas, procuro o meu telemovel. A luz que emite magoa-me os olhos. 4.47h da manhã. Devia estar a dormir, como toda a gente. Em vez disso, debato-me na cama, mudo de posição, fecho os olhos, procuro adormecer. Nada acontece. Continuo acordada. Rapidamente os meus pensamentos começam a correr, memórias vem-me à cabeça. Memórias que agora procuro esqueçer. "Hoje não" penso, à medida que me debato contra uma mesma memoria, construindo uma muralha à volta dela e empurrando-a para longe do meu pensamento. Tento concentrar-me noutro pensamento, coisas banais como a roupa que hei-de vestir ou o episódio de How I Met Your Mother que vi nesse dia. Percorro mil pensamentos à velocidade da luz, em cada pormenor, cada aspecto minuncioso.
Agarro novamente no meu telemovel. 4.55h. O tempo passa devagar e eu começo a ficar enervada. Não posso ligar a televisão ou a luz, nem sequer fazer qualquer barulho porque não quero acordar a casa toda. Por isso limito-me a olhar para as paredes ou até de olhos fechados e penso. Penso em tudo. Na verdade, acho que o meu problema é esse: penso demasiado. No tempo que deveria estar a dormir, a sonhar com castelos e principes, estou na verdade acordada a pensar na realidade, na escola, naquilo que me preocupa. Tudo parece estar errado, parece que estou a remar contra a maré. Tenho esta sensação vezes sem conta; prometo a mim própria que vai passar mas ela insiste em voltar, todos os dias ou aliás, todas as noites.
Pergunto-me, pergunto-me porque é que isto me acontece, porque é que não sou igual aos outros, porque é que não consigo dormir descansada? Começo a brincar, penso que tenho super-poderes, que sou diferente e nasci assim com um propósito qualquer que hei-de descobrir quando for a altura certa. E um sorriso nasce na minha cara, com tal pensamento reconfortante e ridiculo. Mas, tão depressa como a chuva que cai, começo a pensar nos motivos que me fazem sorrir. Penso nos meus amigos, os mais chegados, parvoíces que dissemos, momentos que passámos, conversas que tivemos. Penso nos meus novos amigos, tão recentes e por isso com menos histórias para lembrar mas mesmo assim, importantes e com os quais sinto já uma grande amizade.
Acabo então por destruir a muralha que fiz à volta da minha memória. Obrigo-me a pensar nela, sei que o irei fazer portanto mais vale faze-lo de vez. O meu coração aperta, sinto um buraco no peito. Respiro fundo. Penso que já passou, que já não há nada a fazer e que por muito que me custe agora, por muito que odeie esta memória, não vai nunca ser apagada. Por isso, sorrio. Sim, foi dificil, ainda é. Mas acabou. E está agora a ser tudo enterrado. Sinto um ódio a crescer dentro de mim mas faço-o abrandar. Já nem vale a pena sentir isso, nem nada na verdade. E então apercebo-me: já não preciso de muralha nenhuma. É um assunto arrumado, arrumado na prateleira, arrumado nos cantos da minha memória. Deixou de ter a importancia que tinha, finalmente. E sinto-me feliz, feliz por saber que o fim, seguido de um recomeço está mais perto.
É então que deixo de pensar, todos os meus pensamentos desaparecem para serem substituidos por um sonho. Sonho de que não me lembrarei pela manhã, nem como metade dos meus pensamentos da noite. E é assim, todas as noites. Insónias que me atormentam, fazem-me pensar no que mais quero esquecer, tudo para que no dia seguinte, de nada me lembre.
Agarro novamente no meu telemovel. 4.55h. O tempo passa devagar e eu começo a ficar enervada. Não posso ligar a televisão ou a luz, nem sequer fazer qualquer barulho porque não quero acordar a casa toda. Por isso limito-me a olhar para as paredes ou até de olhos fechados e penso. Penso em tudo. Na verdade, acho que o meu problema é esse: penso demasiado. No tempo que deveria estar a dormir, a sonhar com castelos e principes, estou na verdade acordada a pensar na realidade, na escola, naquilo que me preocupa. Tudo parece estar errado, parece que estou a remar contra a maré. Tenho esta sensação vezes sem conta; prometo a mim própria que vai passar mas ela insiste em voltar, todos os dias ou aliás, todas as noites.
Pergunto-me, pergunto-me porque é que isto me acontece, porque é que não sou igual aos outros, porque é que não consigo dormir descansada? Começo a brincar, penso que tenho super-poderes, que sou diferente e nasci assim com um propósito qualquer que hei-de descobrir quando for a altura certa. E um sorriso nasce na minha cara, com tal pensamento reconfortante e ridiculo. Mas, tão depressa como a chuva que cai, começo a pensar nos motivos que me fazem sorrir. Penso nos meus amigos, os mais chegados, parvoíces que dissemos, momentos que passámos, conversas que tivemos. Penso nos meus novos amigos, tão recentes e por isso com menos histórias para lembrar mas mesmo assim, importantes e com os quais sinto já uma grande amizade.
Acabo então por destruir a muralha que fiz à volta da minha memória. Obrigo-me a pensar nela, sei que o irei fazer portanto mais vale faze-lo de vez. O meu coração aperta, sinto um buraco no peito. Respiro fundo. Penso que já passou, que já não há nada a fazer e que por muito que me custe agora, por muito que odeie esta memória, não vai nunca ser apagada. Por isso, sorrio. Sim, foi dificil, ainda é. Mas acabou. E está agora a ser tudo enterrado. Sinto um ódio a crescer dentro de mim mas faço-o abrandar. Já nem vale a pena sentir isso, nem nada na verdade. E então apercebo-me: já não preciso de muralha nenhuma. É um assunto arrumado, arrumado na prateleira, arrumado nos cantos da minha memória. Deixou de ter a importancia que tinha, finalmente. E sinto-me feliz, feliz por saber que o fim, seguido de um recomeço está mais perto.
É então que deixo de pensar, todos os meus pensamentos desaparecem para serem substituidos por um sonho. Sonho de que não me lembrarei pela manhã, nem como metade dos meus pensamentos da noite. E é assim, todas as noites. Insónias que me atormentam, fazem-me pensar no que mais quero esquecer, tudo para que no dia seguinte, de nada me lembre.
Life is a bitch.
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