É engraçado como ao ler "O diário de Anne Frank", escrito por uma menina numa situação completamente oposta à minha e há tanto tempo atrás, eu me consigo identificar com ela. Anne Frank, refere várias vezes que se sente deslocada, incompreendida, num lugar errado até. Nem com a própria familia se identifica. Daí refugiar-se nos livros e na escrita, tal como eu.
Nunca tinha ido a um velório ou a um funeral. Já sabia que não ia ser agradável, mas nunca esperei que fosse tão mau. Especialmente o velório. O propósito do velório não é seguido, as pessoas vão lá e só falam umas com as outras, das banalidades da vida - o que me irrita. Eu percebo que estar lá o tempo todo a falar do sucedido seja dificil e suponho que as pessoas se tentem distrair mas sendo assim, para que toda aquela "cerimónia" (que nome é que se dá a isto? cerimónia soa tão errado).
Posso não ter conseguido estar na sala onde estava o caixão, ou ter destapado para "me despedir" ou ter chorado e gritado. Ou melhor, não o fiz à vista dos outros. Sentei-me no meu canto, sozinha e calada. Quando ninguém estava a ver, deixei que as lágrimas caissem. A minha ideia de despedida, foi feita tanto atraves das palavras como de pensamentos.
No teu funeral, só eu ia de preto. Havia pessoas com peças de roupa preta, mas totalmente, apenas eu. Ao principio estranhei até a avó dizer "ela não queria que eu me vestisse de preto" e pensei se te desagradaria que eu estivesse de preto. Mas por outro lado, eu estava de vestido e eu sei que sempre me adoraste ver de vestido.
É mais fácil estar sozinha, chorar sem ninguém ver. Não consegui estar lá quando abriram o caixão, sempre que vejo a avó chorar só me apetece fugir quando sei que tenho de ficar e dar-lhe força. Tenho 16 anos (quase nos 17) e era de supor que já fosse crescidinha para estas coisas. Mas não sou. A verdade é que não sou e não sei lidar com isto. Aposto que ninguém sabe mas fazem um trabalho melhor que o meu.
Já li diversos livros em que as pessoas escrevem para os falecidos e, embora sempre tenha achado que fazia sentido, agora que o faço acho ainda mais. É a única forma que eu encontro para aceitar esta situação. Mal choro, acho que ainda estou em choque e tenho a sensação que é daqui a uns dias que vai realmente doer. Adorava preparar-me para isso mas novamente, não há maneira.
Percebo-te Anne Frank. Percebo o que sentias quando dizias que te sentias deslocada, eu também me sinto assim. Percebo que escrevesses, sabendo que ninguém iria ler as tuas palavras (embora tenham sido lidas por praticamente todo o mundo). Ou talvez, se aquela história da reencarnação é verdade, talvez eu tenha sido tu e daí perceber-te tão bem. De qualquer maneira, aposto que nos teríamos dado bem.
Não consigo parar de pensar no que estava escrito nos folhetos ou o que quer que se chama aqueles papelinhos e que foi dito pelo padre na tua missa - que tenho de referir que foi realmente bonito - e sendo assim, resolvi passa-lo também para aqui.
A morte nada é
Eu estou apenas do outro lado
Eu, sou eu, tu és tu.
Aquilo que éramos um para o outro
continuaremos a ser.
Chamem-me como sempre me chamaram.
Falem-me como sempre me falaram.
Não mudem o tom da vossa voz,
não façam ar solene ou triste-
Continuem a rir daquilo que nos fazia rir.
Brinquem, sorriam, pensem em mim. Que
o meu nome seja pronunciado em casa
como sempre foi: Sem qualquer ênfase.
Sem qualquer sombra.
A Vida significa o que sempre significou.
Ela é aquilo que sempre foi.
O "fio" não foi cortado.
Porque é que eu estando longe do vosso
olhar estaria longe do vosso pensamento?
Espero-vos, não estou muito longe,
somento do outro lado do caminho.
Como vêem
está tudo bem.
Sem nome
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
domingo, 16 de setembro de 2012
Ester
Toda a gente tem um nome que nao gosta, um nome com o qual os colegas gozam e do qual se envergonham. Supostamente o teu, era o meu nome que se enquadrava nessa categoria. Mas eu nunca o vi dessa forma. Desde pequena, quando gozavam com o nosso nome, eu simplesmente sorria e dizia "é o nome da minha bisavó e tenho muito orgulho em ter o mesmo nome". Apesar de ser um nome invulgar, era impossível eu nao o amar, como te amo a ti.
Apesar das inúmeras rugas que se observam na tua cara, eu sempre te achei linda. Os teus olhos amáveis, as tuas mãos frágeis, a tua pele que cheirava sempre a creme de rosas que tu insistias em por sempre, os teus braços magros que me envolviam e que ultimamente, pareciam nao me querer largar, como se fosse um ultimo abraço.
São muitas as recordações que eu tenho de ti, sempre que ouço o nosso nome, vem-me uma nova memória. Lembro-me de ser pequena e andar sempre a cantarolar e a dançar pela sala e tantas vezes que já estava cansada mas continuava a fazê-lo, só para ver o teu olhar e o teu sorriso babados. As vezes, perguntavas-me se eu já tinha ido ao baile e dizias-me que tinha de levar um bom rapaz e que tinha de ser bonito e tratar-me bem, eu ria-me e dizia-te que já nao haviam bailes e que ia arranjar o melhor rapaz que houvesse e que serias a primeira a conhece-lo. Um destes dias, vieste-me perguntar se eu tinha namorado e sem esperares que eu respondesse acrescentaste "tens de arranjar um bom rapaz" e eu sorri novamente e disse "claro que sim e vais ser a primeira a conhece-lo" e tu pegaste-me na mao e olhaste para mim: "posso já nao estar aqui quando isso acontecer". Sinceramente já nem sei se o disseste em voz alta ou se foi apenas o teu olhar que me transmitiu a mensagem. Só sei que me ensinou o significado da expressão "partiu-me o coração".
Tenho de te pedir desculpa. Desculpa por ultimamente nao te ter ido visitar com muita frequencia. Das ultima vezes que fui, contigo ja tao franquinha, quase sem te conseguires mexer, e a avo te perguntou "sabe quem ta aqui?" e tu disseste "a minha menina" tao baixinho e como se te tivesse custado o mundo e ao mesmo tempo tao feliz... Deu cabo de mim. E eu sou fraca. E nao consegui suportar ver-te assim. Desculpa. Eu só nao queria que me visses chorar, nao queria causar-te mais dor do que aquela que transparecia pelo teu corpo. Apesar das inúmeras rugas que se observam na tua cara, eu sempre te achei linda. Os teus olhos amáveis, as tuas mãos frágeis, a tua pele que cheirava sempre a creme de rosas que tu insistias em por sempre, os teus braços magros que me envolviam e que ultimamente, pareciam nao me querer largar, como se fosse um ultimo abraço.
São muitas as recordações que eu tenho de ti, sempre que ouço o nosso nome, vem-me uma nova memória. Lembro-me de ser pequena e andar sempre a cantarolar e a dançar pela sala e tantas vezes que já estava cansada mas continuava a fazê-lo, só para ver o teu olhar e o teu sorriso babados. As vezes, perguntavas-me se eu já tinha ido ao baile e dizias-me que tinha de levar um bom rapaz e que tinha de ser bonito e tratar-me bem, eu ria-me e dizia-te que já nao haviam bailes e que ia arranjar o melhor rapaz que houvesse e que serias a primeira a conhece-lo. Um destes dias, vieste-me perguntar se eu tinha namorado e sem esperares que eu respondesse acrescentaste "tens de arranjar um bom rapaz" e eu sorri novamente e disse "claro que sim e vais ser a primeira a conhece-lo" e tu pegaste-me na mao e olhaste para mim: "posso já nao estar aqui quando isso acontecer". Sinceramente já nem sei se o disseste em voz alta ou se foi apenas o teu olhar que me transmitiu a mensagem. Só sei que me ensinou o significado da expressão "partiu-me o coração".
É demasiado difícil ver-te assim, mesmo sabendo que já tens 96 anos. Os médicos dizem que temos de nos preparar, mas isso é uma coisa que eu nunca vou saber fazer. Mas ambas sabemos que é o melhor para ti. Nao te preocupes, eu vou cuidar bem do nosso nome, com todo o carinho. Descansa em paz.
Adoro-te bisa. Para sempre.
sábado, 15 de setembro de 2012
Viajando
Entrámos no autocarro, estava cheio, como sempre. Eu ainda era novata nisto de andar de transportes públicos, estava habituada ao conforto do meu carro onde nao tinha de me preocupar com a mala, com ser roubada, com levantar-me para dar lugar aos idosos.
Mas tu nao. Para ti, era só mais uma viagem, mais uma no meio de tantas outras. Conduziste-me para os bancos do fundo, para que nos sentássemos pois o nosso destino estava ainda há muitos minutos dali. Eu segui-te, a medo, "devíamos ficar ao pé do condutor caso nos tentem roubar", pensava eu. Mas estava tao cansada, queria tanto sentar-me e eram os únicos lugares vagos... Resolvi arriscar, afinal de contas, seria um grande azar ser roubada logo da 1a vez que ia para os lugares traseiros.
Falávamos alegremente, de tudo e de nada, com aquela cumplicidade de quem já se conhece há muitos anos. Estava contente por estares ali. Detestava andar sozinha, era demorado e aborrecido. Mas mais do que isso, gostava de passar tempo contigo, só nos dois. Nunca te disse, mas quando estamos nos, sinto que és mais tu, que te libertas. Secalhar nao, secalhar é uma invenção da minha cabeca só porque é agradável pensar desta maneira. Mas talvez, só talvez, tenha um pouco de verdade.
Entre nos, o silencio nunca foi nada de desconfortável, era tao normal como estarmos a falar. Observávamos os dois as pessoas estranhas que entravam ali. Bastava um olhar para sabermos o que outro pensava. E num ápice, as gargalhadas invadiam o autocarro. Lembro-me de ver as pessoas a olhar para nos e perguntar-me se elas sabiam o que era ter um amigo assim. Se sentiam este à vontade com alguém, como eu sentia contigo.
Nós conseguíamos falar sobre a filosofia da vida, sobre assuntos sérios e profundos (para adolescentes da nossa idade, que na verdade nao tem nada de sérios e profundos) tao facilmente como quando falávamos sobre memórias da nossa infância ou como quando dizíamos um monte de disparates que ninguém percebia. Era como se entrássemos no nosso mundo.
Apesar do tempo da viagem ser enorme, contigo pareciam ser só 5 minutos. Se eu tivesse tido um dia horrível, sei que naquela viagem me irias fazer esquecer de tudo, e se te pedisse, dar-me-ias a tua visão do mundo enquanto olhavas pela janela, tal e qual um filme.
Já tive varias companhias de autocarro mas nenhuma se compara a tua. Porque foi ali que eu te conheci realmente, o ponto de viragem, a altura em que me apercebi que eras um amigo que eu nao queria perder, que eu queria que estivesse no meu casamento dali ha vários anos.
Sabes, só o teu nome traz-me uma enchente de memórias tao variadas e eu adoro isso. E mais do que isso, gosto de nao precisamos de palavras para nos percebermos. Quando estamos no autocarro, ou na loja dos peixinhos ou até no jardim, o resto do mundo some-se e ficamos só nos, na nossa realidade propria, parva e feliz. Tens esse dom, deixas-me com um sorriso sem qualquer esforço. E o melhor de tudo, é que sei que estarás sempre aqui, tal como eu estarei para ti. E não porque mo disseste, mas sim porque a nossa história grita-o por ti.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
you
A professora fala e tu, a meu lado, falas também. Rimo-nos em conjunto. Chamam-nos atrás de nós e olhamos, como se a professora não se encontrasse a nossa frente. Como que para nos lembrar disso, chama-nos, enraivecida.
"Tem de estar atentos", reclama ela.
Pedimos desculpa e trocamos um olhar cúmplice.
Paro para te observar. Conhecemo-nos desde pequenos. Não somos muito chegados mas a tua companhia conforta-me. Gosto da tua maneira de ser, sabes brincar e consegues ser maturo quando o tempo o exige. És distraído, não pareces reparar que te observo. Tens um rosto bonito, olhos castanhos, cabelo curto e rebelde, um sorriso contagiante. Imagino-te daqui a uns anos, mais alto e corpulento, com uma mulher linda debaixo do teu braço. Sei que a vais amar muito e que vais ser um excelente pai, todo babado. Pergunto-me se estarei lá para ver, se irei ao teu casamento, se os meus filhos se irão dar com os teus.
Quando tocar, cada um segue para seu lado. Quando chegarmos a casa, vamos ligar um ao outro e vamos ficar horas a falar, como se não tivessemos estado juntos. Parece que temos sempre imensa coisa para falar. E quando desligo, forma-se um sorriso na minha cara. Sempre me conseguiste deixar bem disposta.
sábado, 8 de outubro de 2011
Duras e duras
E és tu novamente, o assunto dos meus textos, dos meus pensamentos, da minha vida. E, no entanto, de uma maneira tão diferente. Desta vez sem tristeza, sem dor, sem dúvidas.
Tinhas razão, eu bem disse, o tempo tornou as coisas claras e levou o passado com elas. Todas as perguntas que se formaram na minha cabeça tiveram as suas respostas, todas as minhas lágrimas foram substituídas por sorrisos, toda a dor agora, apenas na minha memória.
Às vezes penso nisso, no que éramos em comparação com o que somos agora, em tudo o que mudou. E no quanto me alegra saber que mudou, saber que lutaste, que percebeste, que sabes, que tens a certeza.
Sim, foi difícil, mas faz parte do passado e eu não podia estar mais feliz com o presente. Significas muito mais do que pensas, do que imaginas. Até para mim, quando de repente me apercebo do que te tornaste, fico ligeiramente surpreendida. Foi confuso e exaustivo mas eu sei que valeu a pena.
Sei que valeu a pena quando acordo e penso em ti, cada vez que aparece o teu nome no ecrã do meu telemóvel, cada vez que te vejo, cada sorriso que me provocas, cada borboleta, cada beijinho que me dás, cada vez que me fazes pensar "sou uma princesa", cada "amo-te" que trocamos, cada momento que passamos e de cada vez que me dizes que sou especial e diferente e eu me sinto a rapariga mais sortuda do mundo.
Depois de tudo, saber que continuas aqui, é reconfortante. Saber que conseguimos ultrapassar tudo o que aconteceu e ser felizes, juntos.
Ainda dói lentamente, a mágoa lá longe quando penso nisso, quando penso naquele dia em que disseste "vou dar uma volta, estou a explodir" para depois acabar tudo, de repente, e eu sem perceber o porquê, sempre a bater com a cabeça nas paredes. Quis lutar, quis fazer tudo o que estava ao meu alcance mas, na altura, nada podia fazer. Tive de me habituar, com grande dificuldade confesso, à tua ausência. E pensar que durante os primeiros tempos disse para mim própria "ele vai voltar" e esperei. Mas tu não voltaste. E eu sabia que tinha de seguir em frente e não conseguia. Mas o tempo foi passando e como dizem "o tempo cura tudo" e eu comecei a melhorar. Até ao dia em que voltaste. E voltou tudo, como eu um dia escrevi. Eu queria e não queria, e lutava contra mim, coração vs cabeça e tu, a lutar por mim, e eu perdida. E, depois, já não dava mais, não valia a pena resistir, eras tu, como sempre foste. Então fui deixando andar, a medo, hesitante, enquanto pensava "ainda me vou magoar" e mesmo assim não te conseguia deixar ir, não conseguia dizer-te que não, porque tu estavas a lutar, apesar de tudo ali estavas tu, insistentemente, mesmo quando eu tentava afastar-te e tu não ias. E hoje, digo ainda bem. Ainda bem que lutaste, ainda bem que ficaste, ainda bem que remediaste o teu erro. E admiro-te por isso, apesar de tudo. Voltaste, como eu tantas vezes pensei, como eu tantas vezes sonhei. Mas tu não te limitaste a voltar, não, fizeste muito mais do que isso. Reconstruiste-me outra vez, por assim dizer, todos os bocadinhos que me tiraste, voltaste a colocar, com cuidado e carinho e eu voltei a sentir-me feliz, como naquele primeiro dia, 18 de Abril. E agora é nisto que me tornei, na felicidade pura a caminhar por entre a escola, pelas ruas, por casa. A cantarolar, a sorrir sozinha porque me lembro de alguma coisa nossa, tua. Ou então, estou quietinha no meu canto, sossegada a pensar na vida, em ti, no que tornaste e é aí que recebo as tuas mensagens, a relembrarem-me que continuas aqui, que pensas em mim, que sentes o mesmo que eu sinto em relação a ti. E, quando eu menos espero, dizes tudo aquilo que eu quero ouvir e eu sinto-me reconfortada, feliz, protegida, acompanhada. E já para não falar dos nossos momentos. Daquilo que me fazes sentir, quando te vejo, quando te abraço, quanto te beijo, quando digo que te amo. Cada vez cresce mais aquele sentimento que toda a gente fala e poucos sentem. E eu sinto-o, e é o melhor sentimento do mundo. E eu não peço mais nada, apenas que continue assim, que continues ao meu lado, a fazer-me feliz.
E é por isso que este texto é tão diferente de todos os outros sobre ti. Porque há aquele sentimento a crescer dentro de mim, porque me sinto preenchida, realizada e tudo o mais. Porque não preciso de mais nada, porque isto está certo,"it feels so right".
O passado é passado, e por muito que os outros critiquem o nosso presente, é porque eles não percebem, não percebem o que nós temos, não percebem o que me fazes sentir todos os dias, a todos os segundos. E eu não me arrependo de nada, muito pelo contrário, voltava a passar por tudo o que passei se fosse preciso para te ter comigo. Embora eu saiba que não é e que eras incapaz de me voltar a fazer isso. Creio que o fizeste apenas porque era tudo uma grande confusão, e nunca tiveste essa intenção. Porque és das melhores pessoas que conheci, és demasiado verdadeiro e tens as tuas convicções demasiado bem estabelecidas para me teres feito aquilo de propósito. Agora sei disso, com toda a certeza. Porque eu acredito em ti, como sempre, e vou ficar sempre do teu lado, no matter what. Eu perdoei tudo o que fizeste e mais do que isso, eu agradeço-te o que tens feito, a maneira como me tratas e me fazes sentir.
E pronto, afinal há desejos que se concretizam e agora que o meu está realizado, posso dizer com toda a certeza que é perfeito e muito melhor do que na minha imaginação alguma vez foi.
Amo-te.
Tinhas razão, eu bem disse, o tempo tornou as coisas claras e levou o passado com elas. Todas as perguntas que se formaram na minha cabeça tiveram as suas respostas, todas as minhas lágrimas foram substituídas por sorrisos, toda a dor agora, apenas na minha memória.
Às vezes penso nisso, no que éramos em comparação com o que somos agora, em tudo o que mudou. E no quanto me alegra saber que mudou, saber que lutaste, que percebeste, que sabes, que tens a certeza.
Sim, foi difícil, mas faz parte do passado e eu não podia estar mais feliz com o presente. Significas muito mais do que pensas, do que imaginas. Até para mim, quando de repente me apercebo do que te tornaste, fico ligeiramente surpreendida. Foi confuso e exaustivo mas eu sei que valeu a pena.
Sei que valeu a pena quando acordo e penso em ti, cada vez que aparece o teu nome no ecrã do meu telemóvel, cada vez que te vejo, cada sorriso que me provocas, cada borboleta, cada beijinho que me dás, cada vez que me fazes pensar "sou uma princesa", cada "amo-te" que trocamos, cada momento que passamos e de cada vez que me dizes que sou especial e diferente e eu me sinto a rapariga mais sortuda do mundo.
Depois de tudo, saber que continuas aqui, é reconfortante. Saber que conseguimos ultrapassar tudo o que aconteceu e ser felizes, juntos.
Ainda dói lentamente, a mágoa lá longe quando penso nisso, quando penso naquele dia em que disseste "vou dar uma volta, estou a explodir" para depois acabar tudo, de repente, e eu sem perceber o porquê, sempre a bater com a cabeça nas paredes. Quis lutar, quis fazer tudo o que estava ao meu alcance mas, na altura, nada podia fazer. Tive de me habituar, com grande dificuldade confesso, à tua ausência. E pensar que durante os primeiros tempos disse para mim própria "ele vai voltar" e esperei. Mas tu não voltaste. E eu sabia que tinha de seguir em frente e não conseguia. Mas o tempo foi passando e como dizem "o tempo cura tudo" e eu comecei a melhorar. Até ao dia em que voltaste. E voltou tudo, como eu um dia escrevi. Eu queria e não queria, e lutava contra mim, coração vs cabeça e tu, a lutar por mim, e eu perdida. E, depois, já não dava mais, não valia a pena resistir, eras tu, como sempre foste. Então fui deixando andar, a medo, hesitante, enquanto pensava "ainda me vou magoar" e mesmo assim não te conseguia deixar ir, não conseguia dizer-te que não, porque tu estavas a lutar, apesar de tudo ali estavas tu, insistentemente, mesmo quando eu tentava afastar-te e tu não ias. E hoje, digo ainda bem. Ainda bem que lutaste, ainda bem que ficaste, ainda bem que remediaste o teu erro. E admiro-te por isso, apesar de tudo. Voltaste, como eu tantas vezes pensei, como eu tantas vezes sonhei. Mas tu não te limitaste a voltar, não, fizeste muito mais do que isso. Reconstruiste-me outra vez, por assim dizer, todos os bocadinhos que me tiraste, voltaste a colocar, com cuidado e carinho e eu voltei a sentir-me feliz, como naquele primeiro dia, 18 de Abril. E agora é nisto que me tornei, na felicidade pura a caminhar por entre a escola, pelas ruas, por casa. A cantarolar, a sorrir sozinha porque me lembro de alguma coisa nossa, tua. Ou então, estou quietinha no meu canto, sossegada a pensar na vida, em ti, no que tornaste e é aí que recebo as tuas mensagens, a relembrarem-me que continuas aqui, que pensas em mim, que sentes o mesmo que eu sinto em relação a ti. E, quando eu menos espero, dizes tudo aquilo que eu quero ouvir e eu sinto-me reconfortada, feliz, protegida, acompanhada. E já para não falar dos nossos momentos. Daquilo que me fazes sentir, quando te vejo, quando te abraço, quanto te beijo, quando digo que te amo. Cada vez cresce mais aquele sentimento que toda a gente fala e poucos sentem. E eu sinto-o, e é o melhor sentimento do mundo. E eu não peço mais nada, apenas que continue assim, que continues ao meu lado, a fazer-me feliz.
E é por isso que este texto é tão diferente de todos os outros sobre ti. Porque há aquele sentimento a crescer dentro de mim, porque me sinto preenchida, realizada e tudo o mais. Porque não preciso de mais nada, porque isto está certo,"it feels so right".
O passado é passado, e por muito que os outros critiquem o nosso presente, é porque eles não percebem, não percebem o que nós temos, não percebem o que me fazes sentir todos os dias, a todos os segundos. E eu não me arrependo de nada, muito pelo contrário, voltava a passar por tudo o que passei se fosse preciso para te ter comigo. Embora eu saiba que não é e que eras incapaz de me voltar a fazer isso. Creio que o fizeste apenas porque era tudo uma grande confusão, e nunca tiveste essa intenção. Porque és das melhores pessoas que conheci, és demasiado verdadeiro e tens as tuas convicções demasiado bem estabelecidas para me teres feito aquilo de propósito. Agora sei disso, com toda a certeza. Porque eu acredito em ti, como sempre, e vou ficar sempre do teu lado, no matter what. Eu perdoei tudo o que fizeste e mais do que isso, eu agradeço-te o que tens feito, a maneira como me tratas e me fazes sentir.
E pronto, afinal há desejos que se concretizam e agora que o meu está realizado, posso dizer com toda a certeza que é perfeito e muito melhor do que na minha imaginação alguma vez foi.
Amo-te.
sábado, 17 de setembro de 2011
Retornado
Foi o primeiro texto que escrevi em muito tempo, sem ser sobre ti. Um dia disse para mim mesma que não escreveria mais. Mesmo sabendo que estava a mentir a mim própria.
A nossa história ainda não acabou e pelo que vejo, está longe de estar acabada. Já não sei se isso me entristece ou alegra. Sinceramente, já não sei o que pensar. Embora continue a faze-lo, sem cessar. E por muito que pense, só me vêm perguntas e mais perguntas, todas sem respostas. Tenho de esperar, bem sei, tenho de esperar
(que o futuro é uma incógnita)
então, vou esperando, enquanto tenho mudanças de humor, mil no mesmo dia, sem razão, só porque penso e continuo a pensar.
Muitas vezes, só quero que isto tudo acabe, mas por outro lado, se acabar... Não sei como vou ficar. Já me habituei outra vez
(que estúpida)
como deixei isto acontecer? Será que o que estou a fazer é errado ou certo? Será que estou a cometer o mesmo erro?
E tenho medo. Tenho um medo enorme, a crescer dentro de mim. Sei que me vais magoar. Mas como? quando? porquê? E as perguntas continuam
(já viste?)
sem pararem nunca. Queria algum descanso, embora não o obtenha. Devia concentrar-me na escola, em vez de em ti. E no entanto, cá estou eu, uma vez mais, a escrever sobre ti, a ignorar que disse a mim própria que não o voltaria fazer. Não que isso me envergonhe, às vezes é preciso ignorar alguns pensamentos, antes que dê em louca
(ou será que já dei?)
Quero-te e não te quero. A verdade é essa. Gostava de te substituir
(desculpa a sinceridade)
mas nunca vai haver ninguém igual a ti, não há ninguém que te substitua. És unico no mundo e por vezes, chego a pensar que meu, em momentos de loucura pura, de infantilidade, de desespero e de sei-lá-mais-o-quê. E não quero que sejas
(ou quero?)
não sei. O problema é este, estás a ver? Dás-me perguntas e perguntas, todas sem respostas. Até nos meus textos, não me deixas em paz. Tiraste-me o sossego da cabeça- se bem que há muito que o perdi- e não foi só isso que me tiraste. Mas também me deste tanta coisa...
Fica comigo, não fiques; vai, não vás; gosto, não quero; quero, não quero.
(dá-me respostas por favor.
Não podes tornar isto simples? Por favor?)
Já sei, já sei. Com o tempo, o tempo.. Ai, o tempo... Quando é que o tempo começa a trabalhar? Sei que tenho de esperar. É o que tenho feito. Não sou muito paciente, admito. Mas não está já na hora? Olha que sim. Vá lá, tempo, estou à espera. Espero que não te tenhas esquecido, tu que és conhecido como o que repara tudo.
Ò tempo, olha que ainda aqui estou.
A nossa história ainda não acabou e pelo que vejo, está longe de estar acabada. Já não sei se isso me entristece ou alegra. Sinceramente, já não sei o que pensar. Embora continue a faze-lo, sem cessar. E por muito que pense, só me vêm perguntas e mais perguntas, todas sem respostas. Tenho de esperar, bem sei, tenho de esperar
(que o futuro é uma incógnita)
então, vou esperando, enquanto tenho mudanças de humor, mil no mesmo dia, sem razão, só porque penso e continuo a pensar.
Muitas vezes, só quero que isto tudo acabe, mas por outro lado, se acabar... Não sei como vou ficar. Já me habituei outra vez
(que estúpida)
como deixei isto acontecer? Será que o que estou a fazer é errado ou certo? Será que estou a cometer o mesmo erro?
E tenho medo. Tenho um medo enorme, a crescer dentro de mim. Sei que me vais magoar. Mas como? quando? porquê? E as perguntas continuam
(já viste?)
sem pararem nunca. Queria algum descanso, embora não o obtenha. Devia concentrar-me na escola, em vez de em ti. E no entanto, cá estou eu, uma vez mais, a escrever sobre ti, a ignorar que disse a mim própria que não o voltaria fazer. Não que isso me envergonhe, às vezes é preciso ignorar alguns pensamentos, antes que dê em louca
(ou será que já dei?)
Quero-te e não te quero. A verdade é essa. Gostava de te substituir
(desculpa a sinceridade)
mas nunca vai haver ninguém igual a ti, não há ninguém que te substitua. És unico no mundo e por vezes, chego a pensar que meu, em momentos de loucura pura, de infantilidade, de desespero e de sei-lá-mais-o-quê. E não quero que sejas
(ou quero?)
não sei. O problema é este, estás a ver? Dás-me perguntas e perguntas, todas sem respostas. Até nos meus textos, não me deixas em paz. Tiraste-me o sossego da cabeça- se bem que há muito que o perdi- e não foi só isso que me tiraste. Mas também me deste tanta coisa...
Fica comigo, não fiques; vai, não vás; gosto, não quero; quero, não quero.
(dá-me respostas por favor.
Não podes tornar isto simples? Por favor?)
Já sei, já sei. Com o tempo, o tempo.. Ai, o tempo... Quando é que o tempo começa a trabalhar? Sei que tenho de esperar. É o que tenho feito. Não sou muito paciente, admito. Mas não está já na hora? Olha que sim. Vá lá, tempo, estou à espera. Espero que não te tenhas esquecido, tu que és conhecido como o que repara tudo.
Ò tempo, olha que ainda aqui estou.
Life is a bitch
Fugir
Quantas vezes já te apeteceu fugir? Deixar tudo para trás, começar tudo de novo? E no entanto, quantas vezes já fugiste?
É tão tentador. E, de qualquer maneira, não fugimos. Porque fugir é um acto cobarde. Porque não podemos. Porque devemos ficar cá e aguentar. Aguentar tudo e todos, e mais do que isso ainda, ultrapassar tudo e todos.
Estás sozinho, e vais estar sempre. Por muitos amigos que tenhas, por muitos amores que encontres pela vida, vais estar sozinho. Vieste parar ao mundo sozinho e vais acabar por ir embora, igualmente sozinho, independentemente de quantas pessoas tiveste na tua vida. Mas fazer o que? Viver isolado de todos? Não é uma opção. Faz parte: todos nós vivemos, encontramos pessoas, umas que ficam durante mais tempo, outras menos. E todas te desiludem. Mais tarde ou mais cerdo. Vai sempre acontecer alguma coisa que te desagrade, que te provoque um tipo qualquer de infelicidade. Porque nós somos todos extremamente egoístas (e atenção que me incluo também). Vivemos preocupados com o nosso umbigo. Porque "nos temos de proteger", porque "se nós próprios não cuidarmos de nós, quem cuidará?", porque ...
E de cada vez que pensamos em fugir, e temos vontade para tal... Isso é um exemplo do nosso egoísmo. Não nos preocupamos com quem vamos deixar mal, com quem vamos deixar para trás. Preocupamo-nos apenas conosco, porque estamos chateados- seja por que razão for- e queremos abandonar tudo, no matter what. Estamos dispostos a deixar tudo só para nós ficarmos bem, mesmo que isso deixe o mundo à nossa volta mal.
Somos egoístas e estamos sozinhos neste mundo. E vamos ser magoados por quem está à nossa volta, vezes sem conta. E vamos continuar a sobreviver. Ou então fugimos.
( é que o deviamos todos fazer, fugir cobardemente; para sempre)
É tão tentador. E, de qualquer maneira, não fugimos. Porque fugir é um acto cobarde. Porque não podemos. Porque devemos ficar cá e aguentar. Aguentar tudo e todos, e mais do que isso ainda, ultrapassar tudo e todos.
Estás sozinho, e vais estar sempre. Por muitos amigos que tenhas, por muitos amores que encontres pela vida, vais estar sozinho. Vieste parar ao mundo sozinho e vais acabar por ir embora, igualmente sozinho, independentemente de quantas pessoas tiveste na tua vida. Mas fazer o que? Viver isolado de todos? Não é uma opção. Faz parte: todos nós vivemos, encontramos pessoas, umas que ficam durante mais tempo, outras menos. E todas te desiludem. Mais tarde ou mais cerdo. Vai sempre acontecer alguma coisa que te desagrade, que te provoque um tipo qualquer de infelicidade. Porque nós somos todos extremamente egoístas (e atenção que me incluo também). Vivemos preocupados com o nosso umbigo. Porque "nos temos de proteger", porque "se nós próprios não cuidarmos de nós, quem cuidará?", porque ...
E de cada vez que pensamos em fugir, e temos vontade para tal... Isso é um exemplo do nosso egoísmo. Não nos preocupamos com quem vamos deixar mal, com quem vamos deixar para trás. Preocupamo-nos apenas conosco, porque estamos chateados- seja por que razão for- e queremos abandonar tudo, no matter what. Estamos dispostos a deixar tudo só para nós ficarmos bem, mesmo que isso deixe o mundo à nossa volta mal.
Somos egoístas e estamos sozinhos neste mundo. E vamos ser magoados por quem está à nossa volta, vezes sem conta. E vamos continuar a sobreviver. Ou então fugimos.
( é que o deviamos todos fazer, fugir cobardemente; para sempre)
Life is a bitch.
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