A professora fala e tu, a meu lado, falas também. Rimo-nos em conjunto. Chamam-nos atrás de nós e olhamos, como se a professora não se encontrasse a nossa frente. Como que para nos lembrar disso, chama-nos, enraivecida.
"Tem de estar atentos", reclama ela.
Pedimos desculpa e trocamos um olhar cúmplice.
Paro para te observar. Conhecemo-nos desde pequenos. Não somos muito chegados mas a tua companhia conforta-me. Gosto da tua maneira de ser, sabes brincar e consegues ser maturo quando o tempo o exige. És distraído, não pareces reparar que te observo. Tens um rosto bonito, olhos castanhos, cabelo curto e rebelde, um sorriso contagiante. Imagino-te daqui a uns anos, mais alto e corpulento, com uma mulher linda debaixo do teu braço. Sei que a vais amar muito e que vais ser um excelente pai, todo babado. Pergunto-me se estarei lá para ver, se irei ao teu casamento, se os meus filhos se irão dar com os teus.
Quando tocar, cada um segue para seu lado. Quando chegarmos a casa, vamos ligar um ao outro e vamos ficar horas a falar, como se não tivessemos estado juntos. Parece que temos sempre imensa coisa para falar. E quando desligo, forma-se um sorriso na minha cara. Sempre me conseguiste deixar bem disposta.
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