Toda a gente tem um nome que nao gosta, um nome com o qual os colegas gozam e do qual se envergonham. Supostamente o teu, era o meu nome que se enquadrava nessa categoria. Mas eu nunca o vi dessa forma. Desde pequena, quando gozavam com o nosso nome, eu simplesmente sorria e dizia "é o nome da minha bisavó e tenho muito orgulho em ter o mesmo nome". Apesar de ser um nome invulgar, era impossível eu nao o amar, como te amo a ti.
Apesar das inúmeras rugas que se observam na tua cara, eu sempre te achei linda. Os teus olhos amáveis, as tuas mãos frágeis, a tua pele que cheirava sempre a creme de rosas que tu insistias em por sempre, os teus braços magros que me envolviam e que ultimamente, pareciam nao me querer largar, como se fosse um ultimo abraço.
São muitas as recordações que eu tenho de ti, sempre que ouço o nosso nome, vem-me uma nova memória. Lembro-me de ser pequena e andar sempre a cantarolar e a dançar pela sala e tantas vezes que já estava cansada mas continuava a fazê-lo, só para ver o teu olhar e o teu sorriso babados. As vezes, perguntavas-me se eu já tinha ido ao baile e dizias-me que tinha de levar um bom rapaz e que tinha de ser bonito e tratar-me bem, eu ria-me e dizia-te que já nao haviam bailes e que ia arranjar o melhor rapaz que houvesse e que serias a primeira a conhece-lo. Um destes dias, vieste-me perguntar se eu tinha namorado e sem esperares que eu respondesse acrescentaste "tens de arranjar um bom rapaz" e eu sorri novamente e disse "claro que sim e vais ser a primeira a conhece-lo" e tu pegaste-me na mao e olhaste para mim: "posso já nao estar aqui quando isso acontecer". Sinceramente já nem sei se o disseste em voz alta ou se foi apenas o teu olhar que me transmitiu a mensagem. Só sei que me ensinou o significado da expressão "partiu-me o coração".
Tenho de te pedir desculpa. Desculpa por ultimamente nao te ter ido visitar com muita frequencia. Das ultima vezes que fui, contigo ja tao franquinha, quase sem te conseguires mexer, e a avo te perguntou "sabe quem ta aqui?" e tu disseste "a minha menina" tao baixinho e como se te tivesse custado o mundo e ao mesmo tempo tao feliz... Deu cabo de mim. E eu sou fraca. E nao consegui suportar ver-te assim. Desculpa. Eu só nao queria que me visses chorar, nao queria causar-te mais dor do que aquela que transparecia pelo teu corpo. Apesar das inúmeras rugas que se observam na tua cara, eu sempre te achei linda. Os teus olhos amáveis, as tuas mãos frágeis, a tua pele que cheirava sempre a creme de rosas que tu insistias em por sempre, os teus braços magros que me envolviam e que ultimamente, pareciam nao me querer largar, como se fosse um ultimo abraço.
São muitas as recordações que eu tenho de ti, sempre que ouço o nosso nome, vem-me uma nova memória. Lembro-me de ser pequena e andar sempre a cantarolar e a dançar pela sala e tantas vezes que já estava cansada mas continuava a fazê-lo, só para ver o teu olhar e o teu sorriso babados. As vezes, perguntavas-me se eu já tinha ido ao baile e dizias-me que tinha de levar um bom rapaz e que tinha de ser bonito e tratar-me bem, eu ria-me e dizia-te que já nao haviam bailes e que ia arranjar o melhor rapaz que houvesse e que serias a primeira a conhece-lo. Um destes dias, vieste-me perguntar se eu tinha namorado e sem esperares que eu respondesse acrescentaste "tens de arranjar um bom rapaz" e eu sorri novamente e disse "claro que sim e vais ser a primeira a conhece-lo" e tu pegaste-me na mao e olhaste para mim: "posso já nao estar aqui quando isso acontecer". Sinceramente já nem sei se o disseste em voz alta ou se foi apenas o teu olhar que me transmitiu a mensagem. Só sei que me ensinou o significado da expressão "partiu-me o coração".
É demasiado difícil ver-te assim, mesmo sabendo que já tens 96 anos. Os médicos dizem que temos de nos preparar, mas isso é uma coisa que eu nunca vou saber fazer. Mas ambas sabemos que é o melhor para ti. Nao te preocupes, eu vou cuidar bem do nosso nome, com todo o carinho. Descansa em paz.
Adoro-te bisa. Para sempre.
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